quinta-feira, dezembro 29, 2005

BAIXADA URGENTE

■ A ação de uma quadrilha, que resgatou um perigoso traficante no momento em que ele seria apresentado no Fórum da Ilha do Governador, na manhã de terça-feira (27), aumentou a sensação de insegurança dos serventuários da Justiça em todo o Estado. O novo Fórum de Duque de Caxias, por exemplo, fica a poucos metros das favelas de Vigário Geral e Parada de Lucas, separadas do prédio da Justiça pelas águas do poluído rio Meriti. De barco ou botes infláveis movidos a remo e protegidos pela vegetação de manguezal das margens do rio, os bandidos das duas favelas, que estão em guerra entre si há mais de 20 anos, poderiam alcançar o Fórum de Duque de Caxias em poucos minutos, sem chamar a atenção de ninguém para resgatar comparsas e amigos que estejam à disposição da Justiça.

■ Para um advogado com larga experiência na área criminal, a proposta do presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Sérgio Cavaliere, de construção de uma Vara Criminal na área dos presídios de Bangu, é de alto custo e não resolverá o problema nos diversos Fóruns do Estado. Por isso, esse criminalista sugere a fórmula adotada por alguns juízes do interior de São Paulo, do uso da Internet nas audiências, sem o custoso deslocamento dos presos dos presídios para os Fóruns. Para isso, basta a construção de uma sala especial no Presídio, onde ficariam o réu e o seu defensor.

■ O Juiz conduziria o interrogatório do réu através de um sistema de comunicação de áudio e vídeo, com a assistência do Ministério Público e do advogado de acusação, se houver, que permaneceriam na sala de audiência, enquanto o réu e o seu advogado ficariam na sala especial do Presídio. Concluída a audiência, seria enviado ao réu, pela Internet, o ata da audiência que, depois de lida, seria assinada pelo acusado e o seu defensor e remetida ao Fórum, para registro nos autos. Sairia muito mais barato, principalmente pelo fato da Justiça do Rio de Janeiro haver informatizado todos os Fóruns do interior.

■ A Cultura da Baixada acaba de sofrer uma dramática derrota. Por questões políticas menores, a Prefeitura de São João de Meriti decidiu retirar o apoio que há mais de oito anos vinha dando ao Instituto de Pesquisas e Análises Históricas da Baixada Fluminense, o IPAHB, uma respeitável instituição que, ao longo de uma década, reuniu um valioso acervo sobre a Historia da antiga Vila Estrela, hoje dividida nos Municípios de Nova Iguaçu, Queimados, Mesquita, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Duque de Caxias, Magé e Guapimirim.

■ De fundamental importância no Brasil Colônia, por ser responsável pela recepção e embarque para a Europa do ouro e pedras preciosas extraídas de Vila Rica, a hoje Ouro Preto, a antiga Vila de Estrela foi também grande produtora de açúcar, café e laranja, exportadas para a Europa e EE. UU até metade do Século XX. O avança da urbanização do Rio de Janeiro acabou transformando fazendas e chácaras em bairros populosos, que resultaram numa Baixada Fluminense que hoje reúne 13 Municípios e mais de 1/3 da produção industrial do Estado do Rio, com destaque para a REDUC e o Pólo Gás-Químico de Campos Elíseos, ambos em Duque de Caxias, o 2º PIB do Estado do Rio.

■ A desativação do IPAHB é um desserviço à História do Brasil e ao Patrimônio Artístico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro. Se é difícil se constituir uma instituição voltada para a pesquisa e documentação de mais de 500 anos de História dessa região, muito mais difícil será justificar tal tragédia! Principalmente quando o fato é decorrente de simples questiúnculas políticas, ou seja, resultado de disputas paroquiais no pior sentido do termo. Ainda é tempo de o prefeito Uzias Mocotó, do PMDB e, portanto, representante da Governador Rosinha Matheus, repensar o assunto e continuar a obra que era um justo orgulho do ex-prefeito Antonio de Carvalho, do PFL, que sempre manteve uma relação tão profícua quanto amistosa com o ex-governador Anthony Garotinho.

Um comentário:

Josué Cardoso disse...

Caro Alberto Marques, veterano e combativo jornalista. Você é também grande conhecedor do trabalho que Gênesis Torres, Guilherme Peres e outros "guerrilheiros culturais" desenvolvem em prol da nossa história, da nossa cultura e de nossas artes. Além de tudo que voce disse, não podemos aceitar como as coisas sejam feitas em nome da "política", esta que é uma ciência que deve ser exercida para aglutinar idéias e pensamentos, ações e projetos, cidadania e conhecimento. A política deve ser exercida com esse objetivo.
O que preocupa os artistas, pensadores e intelectuais da região é a forma como as coisas são feitas, "na surdina". É como se fosse uma "guerra suja"... Estou buscando há dias uma palavra oficial sobre o assunto mas ninguém da Prefeitura diz nada.
Isso é lamentável. O Poder Público tem o dever se pronunciar-se e assim estamos aguardando que o faça.
Um forte abraço prá ti.

Em tempo: Sobre a notícia que postei ontem (dia 28) em meu blog (josuejornal.blogspot.com), noticiando o assunto, a Prefeitura continua calada.